29 de mai de 2010


Exu
“A Esfera”

O MENSAGEIRO CÓSMICO - CONHECEDOR DE TODAS AS LÍNGUAS


É a divina imagem contemporânea, atuante e necessário na intimidade das práticas religiosas afro-brasileiras. Exu é o princípio dinâmico que possibilita a existência e responsável pelo destino de cada um. Ele é sem dúvida, o mais humano dos Orixás Africanos, muitas vezes mal interpretado e um símbolo desfavorável, muito confundido com o Diabo católico, trazendo para ele o estigma do mal.
Exu é o regulador do Cosmos, o deus da ordem, o mensageiro das divindades só para fins úteis. Possui um temperamento brincalhão e polêmico. Exu é lançado como síntese de um pensamento social, voltado aos sentimentos mais humanos, a própria energia vital, é constatado em qualquer ato de cerimônia. O AXÉ dos Orixás, só aciona seus mecanismos através da ação de Exu. Tem forte ligação com o fogo, não é dele a responsabilidade de decidir o que é  certo ou  errado; apenas realiza a tarefa para qual foi invocado. Teria o mesmo papel que o Deus Mercúrio da mitologia romana, o mensageiro dos Deuses. É o senhor dos caminhos, o compadre, o amigo e o trabalhador mágico com a velocidade de vento e sagacidade de fera. Exu é aquele que gera o ciclo patronal dos Orixás, estará acionando o próprio fundamento de tudo o que se possa entender de sagrado. Concluindo, sem Exu nada seriamos, ele deve sempre ser reverenciado primeiro, antes de qualquer outro Orixá, pois tem todo o conhecimento sobre a humanidade e o poder de falar todas as línguas.
O MITO - " A DISCÓRDIA"
Dois amigos lavradores trabalhavam numa plantação, quando Exu, usando um boné vermelho de um lado e branco do outro, passava por eles, cumprimentando-os sorrindo, e seguindo o seu caminho. Passados alguns segundos um dos lavradores comentou sobre o boné vermelho de Exu. O outro, não concordando com a cor, retrucou alterando a voz, alegando que o boné era branco, desencadeando assim a discórdia entre ambos, levando-os a brigar corpo a corpo até à morte.

TRIDENTE
A consciência fundamental do sagrado, está nas práticas religiosas dos terreiros, em boa parte dedicado ao Exu ou conjunto de Exus, atuantes na subjetividade de cada templo. Nas casas de culto ou centros de Umbanda, são necessários os trabalhos dos verdadeiros guardiões da espiritualidade ( os chamados Exus de Lei ) auxiliadores da Luz, mas também confundidos com entidades zombeteiras, que em sua maioria são comuns em médiuns com pouco esclarecimento e movidos pelo ego. Muitas vezes equivocados na forma de trabalhar com esses seres magníficos, que estão prontos para a limpeza e evolução do planeta. Todos nós possuímos essa energia vital, ou como queiram, os nossos próprios Exus, e temos que aprender  a respeitar e comandar esta força oculta dentro de nós. Seus lugares de domínio seriam as encruzilhadas das matas,  nas estradas e nas ruas. 

Seu dia da semana: segunda-feira
Suas cores são: vermelho ( ativo ) e preto ( absorção de conhecimento )
Seu elemento: o fogo
Instrumento: tridente
Saudação:  "Laroiê" ( Salve Exu )

LOCAL DE DOMÍNIO A ENCRUZILHADA


 OS ESPECIALISTAS DA NOITE



Relacionei alguns servidores da Luz, onde cada um deles estão ligados à um Orixá com os seus nomes de guerra.
Sr. Marabô - ligação com Xangô Caô e Iemanja
Sr. Calunga - ligação com Oxum
Sr. Mangueira - ligação com Ogum Naruê
Sr. Caveira - ligação com Omulu
Sr. Tiriri  - ligação com Xangô

OS GUARDIÕES
SR. MORCEGO - LIGAÇÃO COM ODÉ
SR. TRANCA RUAS - LIGAÇÃO COM OGUM
SR. VELUDO - LIGAÇÃO COM OXÓSSI E OXUM
SR. VENTANIA - LIGAÇÃO COM XANGÔ AGODÔ E IANSÃ
SR. SETE ENCRUZILHADAS - LIGAÇÃO COM OXALÁ
"Exu é Mogiba", que significa: "aqueles que estão nas encruzas" (pois todas as madrugadas os Exus  se reúnem nos cruzamentos para receberem informações sobre o que deverão fazer com seus filhos, no que se refere ao caminho de vida); Sua saudação Laroiê tem um significado que quer dizer:  Exu não carrega o fardo de ninguém, ou seja, cada um deve carregar sozinho seu próprio fardo, a menos que esteja disposto a pagar o preço que Exu considera justo por seu auxílio. Por ser jovial, vaidoso e astuto, ele gosta de se pentear com um topete alto, pois é aonde ele esconde sua lâmina afiada. Isso significa que, sem o preço certo e o pagamento, Exu não servirá a ninguém, ou se o fizer, sua lâmina danificará a razão do empenho.

ELEGUÁ
Elegua ou Exu Bará regente do jogo de búzios. Seu nome significa “O caminho do andado”. Usa um bastão com a forma de um pênis, que representa potência e energia pura.

AS VARIAÇÕES MAIS CONHECIDAS DE EXU:

Exú Elegbára = senhor do poder
Exú Yangi = pedra vermelha de laterita, primeira plataforma existente – água + terra
Exú Àgbá = pai-ancestral (representação coletiva de todos os exus individuais)
Exú Obá = rei-de-todos
Exú Alakétu = título dado a exu pelos ketu da Bahia - rei do povo Ketu
Exú Elebo = senhor-das-oferendas
Exú Ojìse-ebo = encarregado e transportador de oferendas
Exú Elérú = senhor do erú (carrego)
Exú Olòbe = proprietário e senhor da faca
Exú Enú-gbárijo = explicita dor de mensagens
Exú Bara = o rei do corpo (obá + ara) (princípio de vida individual)
Exú Odara = aquele que guia (mostra o caminho, vai na frente)


“Laroiê Exu”

27 de mai de 2010


Bombogira
A Síntese do Proíbido”
AS SENHORAS DA MAGIA E SEDUÇÃO

Considerada como o Exu Mulher, assim como os demais deuses afro-negros, assume uma bissexualidade que se apresenta na própria concepção do mito. A predominancia dos aspectos femininos. Nas tradições do Culto passou a se chamar de Pomba-gira, assumindo variantes nomes, formas e classificações.  É a síntese social da mulher que, por excelência, se rebela aos padrões e normas convencionais. É a impulssividade da comunicação, outro aspecto bem marcante do mito sobre Exu. É um símbolo do amor, da sedução e da liberdade. É bombogira a verdadeira personagem poderosa sabedora da magia. Ora loura, ora morena, mulata, ruiva e raramente negra. Muito reverenciada  e procurada nas casas de Culto pelo publico feminino. Exerce um grande papel também como a grande companheira do conjunto de Exus ( servidores da espiritualidade). Possuidoras de muita vaidade e sedução, que encanta a todos e deixa sempre um ar de mistério em seus trabalhos. Gosto refinado por perfumes, flores especialmente as rosas vermelhas, acessórios em ouro, cigarrilhas, roupas de cetim e principalmente as bebidas como espumantes e licores. Sorriso escancarado e debochado, ocultando nele seu desejo de triunfar onde muitos já desistiram. Seu local de domínio são as encruzilhadas em forma de um T, fora do perímetro urbano. Abaixo algumas das mais tradicionais do culto.   " LAROIÊ BOMBOGIRA".

AS SENHORAS DA NOITE
MARIA PADILHA

O MITO - A legítima Maria Padilha, rainha dos sete reinos, adora contar que quando viva, não conseguia manter seus maridos vivos além da lua-de-mel. Entre gargalhadas ela conclui que deita com o esposo e amanhece viúva, os pobrezinhos morrem de enfarto, e não aguentam sua orgia sexual. Conta a lenda que ela teve sete reis como maridos. Por isso é dona de sete reinos, sete caminhos, sete territórios por onde ela transita, para fazer seus trabalhos e receber suas oferendas.

        MARIA MULAMBO   

A  CIGANA

A DAMA DA NOITE

A MISTIFICAÇÃO - infelizmente a mistificação é muito comum nas casas de culto, pois nem todos os dirigentes, observam com atenção seus ocupantes. Eu como já fiz parte desse meio. Presenciei muitas vezes cenas de bebedeiras de algumas mulheres, pois se estivessem com suas Bombogiras, jamais ficariam bêbadas. Isso é uma vergonha aos integrantes da religião que trabalham com seriedade.

SETE SAIAS
“LaroiêBombogira”

26 de mai de 2010


A Criação
“O Universo e O Mundo”

MOMENTO DA CRIAÇÃO - SEGUNDO OS YORUBÁS

OFUM MEJI ( o criador) criou o Universo e após a formação do cosmos, ele deu início a geração dos seus filhos, ou seja, os demais ODUS. O primogênito foi OYEKU MEJI, pois no princípio só havia trevas. Criou logo em seguida o seu segundo filho EJIOGBE, onde ambos nasceram no mesmo dia. Após conceber OYEKU MEJI, OFUM MEJI entregou-lhe seu cetro Real para que com ele abrisse um PORTAL DE LUZ. Essa mesma luz dispersaria por todo Universo, iluminando em todas as direções, mas foi recomendado à ele que fizesse abstinência ao EMU( espécie de bebida). Passado algum tempo, OYEKU MEJI ao retornar de suas ocupações dispersou-se de seu irmão e desobedecendo as regras ditadas pelo pai, embriagou-se com o EMU. EJIOGBE sentiu falta de seu irmão, e retornou pelo caminho encontrando-o adormecido e embriagado. EJIOGBE tentou de tudo para reanimar seu irmão, mas foi em vão. Então recolheu o cetro Real e retornou sozinho pra ORUN, onde seu pai OFUM MEJI os aguardava. E então seu pai lhe perguntou:"Onde está seu irmão, o guardião do cetro Real?"
Responde EJIOGBE: "Ele bebeu EMU em excesso e adormeceu, tentei acorda-lo, mas não foi possível. Então retornei sozinho e trouxe o cetro Real".
"Tu não bebeste?"
"Não! sabes que sou obediente às tuas ordens, jamais faria isso".
"Então serás o guarda do cetro Real, substituirás teu irmão daqui por diante".
OYEKU MEJI, ao se recuperar da embriaguez, sentiu falta do cetro e retornou ao ORUN bem desnorteado. Ao cruzar os umbrais de ORUN, foi interpelado por seu pai, que lhe perguntou:
"Porque me desobedeceste, meu filho?"
"Não resisti ao desejo de beber o EMU, e para piorar, eu não sei aonde está o cetro Real e o paradeiro de meu irmão".
OFUM MEJI diz: " Felizmente meu filho, nada se perdeu! o cetro Real foi recolhido por seu irmão e ele está aqui também. Por tal procedimento, de hoje em diante você será subordinado à ele, o seu irmão mais velho, por sua desobediência".
E então EJIOGBE passou a ocupar o primeiro lugar, o qual ele próprio suplicou a seu pai que OYEKU MEJI era o irmão mais velho e deveria ocupar tal posição. Pediu então que lhe fosse dado a guarda das noites e trevas, uma vez que confiaste a mim os dias e a Luz.
OFUN MEJI com pena de seu filho, atendeu a seu pedido e concedeu à OYEKU MEJI vigília da noite, das trevas, do sono, da insônia, enfim, tudo que ocorre à noite, seja na terra, no ar e nas águas. Então EJIOGBE mais uma vez foi designado a disseminar a Luz por mais longínquos recantos do Universo, criando assim as estrelas. Deu-lhe um auxiliar ÈSÙ( por isso EXU percorre os quatro cantos do mundo com seu OGÓ).
E assim foram cumpridas as determinações: No alto do céu, está o SOL reinando sobre os dias e a LUA sobre as noites e as estrelas brilhando pelas madrugadas, dando forma ao Universo. AXÉ


A criação da Terra
Na Nigéria, o Universo é considerado como uma esfera semelhante a uma Cabaça, e a Terra é considerada plana e flutuando dentro da esfera. A parte superior é o céu e a inferior é o mar. Quando nosso mundo foi criado, Deus (OLORUM) firmou a terra e os limites das águas unindo bem as bordas da cabaça e enrolando uma cobra divina para estabelecer a ordem e sustentar as coisas com o movimento rotativo.
No princípio o mundo era pantanoso e cheio de água, nessa época não havia homens, pois os terrenos não eram sólidos. Um dia, Olorum (Deus Supremo) chamou Oxalá e encarregou-o de criar vida na terra. Foi dado então a ele uma casca de caracol cheia de terra, um pombo e uma galinha com cinco dedos. Oxalá desceu à terra e colocou a casca de caracol sobre o pântano. Com o auxílio do pombo e da galinha, a terra se espalhou por todos os lugares, formando um terreno sólido. Depois de algum tempo, Oxalá retornou à presença do Deus Supremo para informar que sua missão havia sido cumprida. Olorum então para inspecionar se o trabalho estava cumprido, enviou um camaleão ( o camaleão é figura constante nos mitos yorubanos) para verificar o trabalho feito por Oxalá. Após algum tempo de vistoria, o camaleão informou que o terreno era muito vasto, mas que ainda encontrava-se húmido; foi ele então enviado pela segunda vez, logo quando chegou, viu que toda a área já estava seca. O local onde tudo começou foi chamado de IFÉ ( significa vasto) e ILÊ ( significa casa), assim ILÊ-IFÉ passou a ser a cidade sagrada do povo e todos os homens surgiram.